Thursday, May 24, 2007

entre os teus lábios


Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen dos fogos
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

...um dos meus poetas favoritos - Eugénio de Andrade

...uma flor te ofereço



o mundo te ofereço
no botão de uma flor
e o seu sagrado odor,
o mais belo que conheço,
traz consigo o ardor
e queima o peito de amor...

o amor que te peço.

teu sorriso, teus lábios, teu cabelo...
pronúncios de beleza ofuscada
que procuram no amor a alvorada
são o que no mundo há de mais belo
ainda mais que a alvorada...
teu sorriso, teus labios, teu cabelo...

teu cheiro, tua voz encantada...

que a demanda cesse
infindável busca de alguém
gorada às vezes em ninguém
mas o peito, o fôlego me oferece
p'ra griar alto e forte também
que de ti minh'alma carece...

e que por ti quer tanto bem.

Sunday, May 20, 2007

Soneto da Fidelidade


De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor ( que tive ):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


...a minha singela homenagem ao Grande Vinicius de Moraes.

Saturday, May 12, 2007

porque sinto


porquê ter medo...
porquê o receio...
de partilhar um segredo
de revelar um anseio

porque sentir se partilha
(ou assim deveria ser)
ou não será sentir!
porque um olhar que brilha,
mesmo quase sem se ver,
num horizonte que há-de seguir!

porquê o passado...
porquê as memórias...
de um querer enganado
ou de falsas estórias

mas no peito há que ter
o fôlego p'ra dizer
que se sente sem querer
o que deveras se quer
sem o medo de te perder
p'ra outro enamorado qualquer!
2007/05/10 - 3h43m

Tuesday, April 24, 2007

procuro


procuro quem
não consigo encontrar
procuro alguém
para conversar
sobre o mundo,
sobre a dor,
sobre o infortúnio,
sobre o amor

por ti... vou procurar
em mim... o despertar
do dia que tarda em amanhecer
...e reparar
no sol que quem ti está p'ra nascer
e nele me perder

encontro em ti
o brilho do teu olhar
encontro em mim
a vontade de te levar
para um mundo
sobre o azul do céu
tão profundo
como um beijo teu

Monday, April 23, 2007

em sintonia perfeita...


escuto a vida
como uma harmonia,
que por o ser,
mostra a sintonia
sem muitas vezes a ter
qual peça de uma sinfonia!

minh'alma vivida,
por vezes sofrida,
em teu leito se deita
ouvindo a sinfonia da vida
tocada em sintonia perfeita

se de poeta
algo eu tenho
de musico terei também,
porem a vida eu desenho
...pintor? ...pergunta alguém!
não! não sou! digo com desdenho!

sou o profeta
(a quem chamam poeta)
da palavra do amor,
da sintonia perfeita
...que busco com fulgor!

Sunday, April 22, 2007

paisagem de mim



Sento-me, na bruma de uma noite fria de Inverno e contemplo a escuridão... o breu, meu amigo, que ilumina a minha mente e a inunda de uma infinita serenidade, abrindo uma janela com vista pra dentro de mim...
A cada olhar, iluminado pelo conforto intimista da noite que irrompe por essa janela, vejo paisagens minhas... de mim! Do que fui... do que sou... do que quero ser! Tempestades tumultuosas se levantam por vezes! Fecho a janela num estrondo súbito e forte... ou então, é-me possível vislumbrar desde as mais antigas lembranças até ao mais longínquo desejo num só horizonte... onde o maravilhoso crepúsculo se me apresenta como a distinta luz da paixão, efémera como o próprio crepúsculo, e me deixa prostrado na minha janela, à espera da bruma de uma noite fria de Inverno... para nela eu aquecer a alma.

Friday, April 20, 2007

amor... desamor

quis a vida que eu, sem querer, te não quisesse
ou que, mesmo querendo, te não tivesse
e que, mesmo te tendo, não pudesse
tão somente te ter...

quis eu que, por te não ter tido, apenas deixasse
que o tempo passasse e te não falasse
do que este dia me lembra... ou não te amasse
mesmo sem querer...

estão abertas as adVERSIdades














...porque escrever se impõe,
...porque versejar apetece,
...porque ler se aventura
...porque ser visto merece,

...e a poesia não só de versos se compõe,
pois paisagens há onde ela aparece...
sem versos, sem rimas... só beleza pura
qual crepúsculo onde o sol anoitece.

por tudo isto... estes são os primeiros Versos Adversos!